Rota dos Cânions na Serra Catarinense

Olá, estou de volta com mais um post de viagem para inspirar vocês.

Nosso país esta repleto de belezas naturais né, e o melhor, tem para todos os gostos, tem cerrado, caatinga, pantanal, pampa, mata, tem praia, tem cachoeira, tem montanha, tem dunas, lugares lindos que mostram o quanto somos pequenos e o quanto a natureza pode ser majestosa.

Aproveitamos o feriado de 7 de setembro para cair na estrada e visitar os Cânions da Serra Catarinense. Para quem não sabe a rota dos Cânions contempla os estados de SC e RS, começa em Bom Jardim da Serra/ SC e termina Cambará do Sul/RS. Fiz um roteiro a fim de conhecer os cânions, a Serra do Rio do Rastro e a cidade de Urubici. Para nossa alegria a previsão do tempo indicava tempo firme e sem neblina, perfeito para contemplar a serra.

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Nossa primeira parada foi em Urubici, nosso objetivo era visitar o Morro da Igreja que fica no Parque Nacional São Joaquim, um lugar lindo que tem visitação gratuita e é de fácil acesso.

O Morro da Igreja fica em área restrita,  para visitar é preciso de uma autorização prévia  que deve ser retirada na sede do ICMBio na cidade de Urubici, o endereço é Av. Pedro Bernardo Warmling, 1542 CEP: 88.650-000, é bem fácil achar, a visita não tem custo, você só vai preencher seus dados de contato, o horário de subida é das 8 as 17hs. Chegamos na cede por volta das 10hs, tinha uma pequena fila para pegar a autorização, mas não demorou mais que 15min, depois seguimos para o morro. O acesso é por ordem de chegada e tem um limite diário de 200 carros, portanto em dias de movimento as autorizações podem acabar  cedo, a subida do morro também é feita por ordem de chegada, e uma vez estando no topo pode permanecer lá por 15min. Quando chegamos tinham uns 20 carros da nossa frente, mas esperamos em torno de 15min também até chegar nossa vez. Fique atento, sem a autorização nem adiante subir o morro pois não vão deixar passar. Na base do Morro ainda é possível visitar a Cascata Véu de Noiva, dentro de uma propriedade particular com restaurante.

 

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Há, o acesso ao morro esta fechado para obras de melhorias na rodovia, as obras devem durar até o próximo ano, mas eles estão abrindo em feriados, por isso conseguimos fazer a visita, mas recomendo acessar o site ou ligar antes para se certificar de que mesmo sendo um feriado estará aberto. Segue os links para contato Urubici, ICMBio e o telefone  (49)  3278-4994.

Depois de visitar o morro da igreja paramos para comprar um lanche e seguimos para Bom jardim da Serra, onde ficam os Cânions e onde nos hospedamos. Se seu passeio tem o intuito de conhecer os Cânions é melhor se hospedar em Bom Jardim, é mais perto e mais prático. O caminho é um charme só, embora seja bem sinuoso, o asfalto é bom e as paisagens são lindas. Chegamos em Bom Jardim logo após o meio dia e seguimos direto para a Fazenda Rincão de Palha onde nos hospedamos. A localização da fazenda não poderia ser melhor, o Cânion das Laranjeiras fica dentro da propriedade da fazenda, e os donos fazem o passeio.

Chegamos no inicio da tarde quando o almoço estava sendo servido, o almoço era um belo churrasco, uma pena que já tínhamos comido no caminho. Logo após nos instalarmos na fazenda seguimos para o passeio, fomos com carro 4×4 com o filho do proprietário, o Benito, que além de nos mostrar o lugar de uma maneira especial nos deu uma aula sobre a biodiversidade da serra.

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O carro nos leva até próximo do cânion, passando por um terreno bem irregular, depois seguimos a pé até ele, contornamos toda sua borda. Terminamos o primeiro dia encantados, o Cânions das Laranjeiras é muito lindo, tem 3 cachoeiras que quebram o silêncio e deixam o lugar ainda mais belo. As fotos não mostram a verdadeira beleza do lugar que é sensacional. Ficamos nele até o pôr do sol e ainda fomos contemplados com a visita de uma raposa vermelha, lindaa.

No dia seguinte acordamos cedo tomamos o café da manhã na fazenda e saímos para conhecer o Cânion da Ronda. O Cânion da Ronda fica no sopé da serra do Rio do Rastro, também fica dentro de uma propriedade particular e o valor para conhecer é de R$10,00 por pessoa, a vantagem dele é que não precisa de guia, e pode ir de carro. A entrada fica a esquerda de quem sobe a serra, antes do mirante, tem um portal que identifica, é a mesma entrada para quem quer conhecer o parque eólico. O carro vai até um lugar bem perto do cânion, é acessível para quase todos, pessoas com mobilidade reduzida podem ter problemas para acessar. Do estacionamento uma escadaria e depois caminhada leve de menos de 5 min levam a borda do Cânion.

Ele é diferente do Cânion das laranjeiras, a formação é completamente diferente, mas igualmente encantador. No mesmo local esta o parque eólico, é possível ir bem perto das torres de energia. O lugar é incrível, sentar em silêncio e contemplar a beleza renova as energias.

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Depois de conhecer o Cânion fomos até o mirante  para ver a Serra do Rio do Rastro. Como era um sábado de feriado o mirante estava bem cheio. No mirante é possível fazer um passeio de helicóptero e ver as belezas de cima.

A tarde reservamos para conhecer o Cânion do Funil que fica na propriedade do Sr. Miguel, quem quer conhecer pode combinar direto com ele ou com a empresa Tribo da Serra que faz os passeios, o contato do Sr. Miguel é (49) 99127-1014, o valor varia, mas a média é de R$130,00 por pessoa. Confesso que depois do almoço bateu aquela preguiça e desistimos do passeio, rodamos por Bom Jardim e voltamos para a fazenda, la fizemos um passeio a cavalo e descansamos.

Nos programamos para voltar descendo a Serra, mas como na ida pegamos muuuuuito transito na BR 101, desistimos de voltar por ela e voltamos por um caminho alternativo. Como visitamos a Serra no sábado de manhã não sentimos necessidade de descer ela.

Algumas considerações sobre os lugares.

A serra é linda, as paisagens mudam o tempo todo, é fazer uma curva e se deparar com uma cachoeira, Bom Jardim é conhecida como a cidade das águas, as cachoeiras lá são abundantes, é muito lindo.

Bom Jardim não é uma cidade com uma grande estrutura, as coisas lá são simples, pousadas simples, restaurantes simples, porém os preços não são nada simples, são preços de turismo em cidades com mais estrutura.

A estrada que leva até a fazenda é toda de terra e alguns trechos são extremamente esburacados, carros baixos podem ter grandes dificuldades em passar.

Quanto a hospedagem na fazenda, embora os donos sejam extremante cordiais e tratam todos como membros da família ficamos um pouco decepcionados. As acomodações são perfeitas, não tenho do que reclamar, porém o café da manhã por exemplo não era grandioso, tinha pão, presunto, queijo, duas frutas, café, leite e suco, eu esperava um café da manhã tipico de fazenda, com bolos, salames, queijos coloniais, enfim, ficamos decepcionados. Nos decepcionamos também com a organização, pedimos um passeio de cavalo as 15:30hs, ficamos esperando e eram 17:45 quase anoitecendo quando os cavalos ficaram prontos, o passeio era para ser de uma hora porém não durou isso e já anoiteceu, o capataz da fazenda também ficou assustando os cavalos para que eles apressassem, eles ficavam nervosos e trotavam, para quem esta acostumado acho que tudo bem, mas era meu primeiro passeio de cavalo na vida não foi uma experiência nada agradável, no final da estadia veio a conta com o passeio cobrado por uma hora. Então qual minha opinião? Os donos são pessoas incríveis, mas o valor cobrado pela estadia não entrega vantagens, como não tem atividades na fazenda eu achei que o valor cobrado é injusto. Todas as atividades e alimentação são cobradas a parte.

Sobre os valores, o passeio de carro 4×4 custa R$100,00 por pessoa, o valor serve tanto para hospedes como para pessoas que façam somente o passeio. Abaixo a relação completa dos valores .

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Sobre os Cânions são lindos e valem o passeio, nos mostram o quanto somos pequenos e insignificantes, fazem refletir sobre a vida que levamos.

Mais algumas fotos da fazenda e das redondezas.

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Espero que tenham gostado, já já tem mais viagens pra inspirar vocês.

Beijos e até o próximo ♥

 

 

 

Como é dormir na Savana Africana?

Sempre me perguntei como seria a experiência de dormir no meio da savana africana, não sei se você sabe, mas nasci e cresci no interior, para mim sempre foi muito natural dormir com o barulho dos animais, mas perdi isso quando decidi me mudar, mesmo assim quando visito meus pais ainda contemplo a paz que o interior traz. Fiquei me perguntando se seria a mesma sensação, o mesmo silêncio, a mesma quietude quebrada as vezes pelo barulho dos animais…

Quando chegamos na Africa eu sabia que seria incrível, mas não imaginei que seria tanto. Uma coisa é dormir ouvindo pássaros, sapos e esses animais pequenos que tem no interior, outra bem diferente é dormir ouvindo hienas, leões, Gnus, zebras e até elefantes. Você acorda de madrugada com esses sons que não esta acostumado a ouvir e a impressão é que estão do lado do seu quarto, algumas vezes podem até estar, mas também podem estar a quilômetros de distância e mesmo assim são ouvidos.

Nossa experiência começou já no Ukutula, um lugar mágico, um refugio escondido, (já falei sobre ele no outro post clique aqui), mas sem dúvidas preciso incluí-lo nesse post porque a experiência vivida lá foi a mais especial. Por se tratar de um centro de preservação e conservação a concentração de leões que tem no local é  maior que na savana (pelo menos perto dos lodges né), por isso, ali a experiência de dormir ouvindo os leões foi fantástica. Todos os dias no anoitecer e no amanhecer começa o espetáculo de urradas, onde leões competem entre si para ver quem urra mais alto e tem a dominância do território, quer dizer, essa é a minha teoria  hehehe, na verdade o que acontece é que hienas vivem no local e os leões não gostam delas, por isso urram para mostrar que o território é deles. Seja qual for o motivo o espetáculo é bonito de se ouvir, as vezes da até medo, hehehehe (no feed do meu instagran tem uns vídeos onde é possível ouvir, me siga @deiabonetti).

Depois chegando na reserva de Madikwe onde fizemos o safári, (fiz um post sobre o lugar, é só clicar aqui) , percebemos que seria mais difícil de ouvir leões, eles não ficam rondando os lodges, mas descobrimos que ouviríamos muito mais. A noite o silêncio é quebrado com os sons dos animais, herbívoros na grande maioria, que passam na fonte para beber água antes de continuar seu caminho.

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Fonte em frente ao quarto onde os animais param para beber água

O lodge que escolhemos para nossa estadia foi o Motswiri, um dos vários que estão localizados na reserva, mas estão tão distantes um dos outros que a sensação lá é de isolamento, o lodge é de uma qualidade imensa, atendimento impecável, cordialidade, boa alimentação, uma cama maravilhosa, quarto lindo, espaço seguro e uma vista belíssima.

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O Motswiri tem somente 5 quartos, que são cabanas, ou seja, tem 5 cabanas. As cabanas são gigantes, tem varanda com vista para a savana, lareira, banheira e o mais inusitado, os chuveiros são ao ar livre, isso mesmo, você toma banho (sim a água é quente) vendo e vivendo a savana. No primeiro dia tinha um elefante a poucos metros, você já tomou banho com um elefante te olhando? hehehe, a experiência vale a pena. Nos quartos não tem televisão nem sinal de internet, ou seja, o tempo que passa neles é para relaxar e curtir a vida selvagem.

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Já da para perceber que o atendimento é bem personalizado né, e o mais legal é que nunca vai estar lotado. O atendimento é muito bom, saíamos de manhã para o game quando voltávamos o quarto estava resfriado, a noite voltávamos e o quarto estava aquecido, um luxo a parte, sem falar que sempre nos esperavam na recepção com toalhas úmidas para limpar as mãos e o rosto e a mesa posta para as refeições.

A área de lazer do hotel é incrivelmente linda e aconchegante, cheia de detalhes.Os puxadores por exemplo são chifres de Kudo, as luminárias são ovos de avestruz, o porta guardanapo espinho de porco espinho, e assim por diante. Cada detalhe muito bem pensado, feito com todo cuidado e carinho para trazer a vida selvagem para junto dos hóspedes.

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Claro, existem opções de hotéis que são mais rústicos, no estilo tenda, mas eu sou nutella né, não me aventuro tanto assim, hehehe.

Enfim, volto cheia de saudade e morrendo de vontade de viver tudo outra vez, sinto falta dos sons, do silêncio, dos cheiros e sabores da Africa do Sul, espero ter a oportunidade de voltar mais vezes.

Espero que tenham gostado.

Beijos e até o próximo ♥